ENTREVISTA – Evandor Geber, presidente da AFEAM

Por Lucas Câmara
lcamara@jcam.com
Manaus, 03 de junho de 2014.

Fazer da Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas) muito mais do que uma financiadora de projetos e transformar a realidade macroeconômica do Estado.
Esse é o projeto do novo diretor-presidente da entidade, Evandor  Geber. No cargo e desde abril deste ano, Geber revelou ao Jornaldo commercio que a ideia partiu do ex-presidente da agência, de quem se considera amigo, Pedro Falabella, Ainda segundo Geber, em 15 anos de atuação a Afeam já aplicou mais de R$ 1 bilhão em projetos no Estado, contribuindo com a geração de mais de 380 mil empregos.

 

JC – Passados seis meses, qual é o balanço que o senhor faz das ações a Afeam em 2014?

Evandor – Em 2014, nós já realizamos 3.610 operações, com valor total de R$ 64 milhões. Em termos de quantidade de operações isso representa 47% do total que nós fizemos em 2013; e em valores já foram operados 73% do orçamento e 2013 só no começo do ano.

JC – Qual é o valor disponível para financiamentos esse ano?

Evandor –  Para este ano estamos projetando, em todas as fontes de recursos, R$ 148 milhões.

JC – Na gestão passada, a agência inovou ao tornar-se sócia de empreendimentos industriais, como a Gradiente. Essa diversificação vai continuar?

Evandor – Na verdade não somos sócios, nós somos investidores em fundos de investimentos. Esse é um projeto nosso para 2015: continuar investindo
em fundos de investimentos e participações.

JC – Como o senhor se sente assumindo um cargo cuja a permanência depende diretamente do resultado das próximas eleições?

Evandor – Isso faz parte do processo profissional. Eu sempre trabalhei na iniciativa privada, e na iniciativa privada estamos sempre sujeitos a demissões. Aqui eu uso o mesmo critério: vou trabalhar tecnicamente, procurando dar o melhor de mim para a empresa e para a equipe. Se tiver alguma mudança, vou tomar outro rumo. Isso faz parte.


JC – Um dos grandes problemas enfrentados pelas agências
de fomento é a questão da inadimplência. Como está este índice
aqui na Afeam?

Evandor – A inadimplência tem duas situações nas quais a situação não está tão grave assim. Se você considerar a inadimplência pelo concito do Banco Central de operações ativas, hoje nossa inadimplência com recursos próprios da Afeam, que tem impacto patrimonial, está em torno de 3,65%. Se você considerar o crédito compensado, ou seja, aquelas operações inadimplentes já foram contabilizadas a prejuízo, de acordo com as normas do Banco Central, ela sobe para 21%. A situação é um pouco mais grave no FMPES – Fundo das Micro e Pequenas Empresas – que chega a 42%, adicionando o crédito compensado. Se considerarmos só as operações  ativas, cai para 5,58%. Pensando nisso, nós estamos elaborando um plano de ação de recuperação desse crédito. Fala-se muito no custo social, mas as pessoas esquecem que um  custo social, muitas vezes, vira um custo patrimonial. O objetivo da Afeam não é o lucro, mas nós temos que manter o equilíbrio financeiro da empresa, para que o dinheiro retorne e volte a aplicar nos excluídos.
JC – E como será feita essa recuperação de débitos?

Evandor – Desde 2013 nós temosum plano forte de ações que vem dando resultados. Temos um convênio, pelo qual uma empresa manda a correspondência, sem custos para a Afeam, com aviso de cartório mais um boleto de cobrança. Normalmente 40% dos que recebem este aviso de cobrança pagam. A nossa ideia é terceirizar a cobrança ainda este
ano para dar ênfase ao acompanhamento, que é o que vai mitigar o risco do crédito. Então a ideia é terceirizar a cobrança – tanto em nível judicial, como amigável – e focar no acompanhamento.

JC – Quais são os setores que mais recebem fomento da Afeam?

Evandor – Desde que a criação  da Afeam, em 1999, já aplicamos R$ 1,1 bi, geramos 384 mil postos de trabalho. Hoje, 60% desse recurso fica no interior – a maior parte destinada ao setor primário.  O foco é mesmo o setor primário e o interior do estado. Na capital o principal foco é comércio e serviços.
JC –  Qual é o perfil do tomador de financiamentos?

Evandor – O nosso foco é o microcrédito, é aquele excluído da sociedade. A exemplo, começamos a financiar os camelôs que estão sendo realocados pela prefeitura, tanto investimento fixo para eles montarem as lojinhas, como capital de giro; os mototaxistas que foram regulamentados pela prefeitura – estamos financiando as motocicletas deles. Já no interior a ênfase é a agricultura familiar.

JC – Qual foi o legado deixado pelo ex-presidente Pedro Falabella, que faleceu na semana passada?

Evandor –  O primeiro grande legado do Falabella foi como pessoa humana. Apesar de tudo o que já saiu por aí (na imprensa), eu me considero amigo dele e ele se considerava meu amigo. Tínhamos uma parceria muito boa, tanto em nível pessoal como profissional. E outro grande legado que ele deixou foi a visão de financiamento da cadeia produtiva – e nós estamos buscando isso hoje na Afeam. Isso significa agregar valor. Não adianta financiar um hectare de mandioca e deixar aquela família na mesma situação de exclusão, lá no interior. O exemplo da Brasjuta: hoje financiamos os produtores através das cooperativas (5 mil famílias dependem disso), agregamos o valor da parceria com o Grupo MG na Brasjuta e temos mais 500 empregos diretos. Então hoje temos mais de 7 mil postos de trabalho só no setor de juta e malva. Nossa idéia – e isso é um legado do Falabella – é financiar, buscar uma alternativa macroeconômica para o estado.

JC – Além disso, quais são os projetos para os próximos anos?

Evandor – O nosso grande projeto para 2015 em diante é este: financiar a cadeia produtiva, buscar uma alternativa macroeconômica para o Estado, fazer o social e buscar iniciativas com a parceria privada, através de fundos de investimentos de participação, que com isso dá para a Afeam fazer o social e manter o seu equilíbrio econômico-financeiro.


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